domingo, 5 de junho de 2011

Brisa-hora

Passa,

vai hora,

passa.



Só não passa desse jeito,

mansa.

Eu já não te suporto ver passar,

a toda hora,

nunca perde a hora de passar.



Se precisas passar, tudo bem eu entendo.

Mas passa depressa e segue teu rumo!

Passa depressa por mim e demora a voltar,

porque eu já não me aguento de raiva em te ver passar.



Sempre a mesma,

nunca muda.

Sempre hora...

Sempre hora.



Se precisas passar,

então que passe!

Mas passe de um jeito diferente,

não sendo a hora de sempre,

que sempre passa,

mas nunca parece querer passar.



Passe como a leve brisa:

sem esforço,

 adorável,

fresca,

leve,

brisa.




segunda-feira, 23 de maio de 2011

Essência


Todas as vezes que eu tento escrever não tendo nada a dizer o que sai é o que vem de dentro. É uma escrita automática, é não pensar digitando, é simplesmente o que estou sentindo, nada mais. Nesses momentos sou simplesmente eu, minha essência que grita, meu suspiro escondido, o meu choro engolido.

Chorar é meu descanso sincero, é o grito do meu coração, e tudo o que vem dele sempre vem repleto de intensidade e ingênuas emoções, repleto de angústias irracionais.

Toda criança é só coração, e todo coração nos faz crianças. Apenas quando estamos dispostos a abandonar nosso cérebro, nossa razão, nos tornamos puros. A pureza em meu coração nunca irá abandoná-lo, mas a minha mente pode sufoca-lo, tortura-lo e silenciá-lo.

Então passei a deixar meu coração falar, gritar, se esgoelar, fazer o que estiver a seu alcance para que seja ouvido. Deixei meu sentimento fluir, até que o meu amor possa ousar dizer seu nome.

Resolvi deixar meu coração ser maior que o meu ser, e que a minha felicidade, a partir de hoje, tome todas as decisões. Quero ser eu mesma de dentro para fora, e quanto mais interno, mais sincero; e o que se escondia já está emergindo, timidamente.

A partir de hoje me comprometo a jamais deixar aquelas ideias pré-concebidas tomarem voz, elas é que sempre foram a pior parte de mim. O que eu quero ser agora é minha essência que grita (fora do papel). Quero minha alma infantil de volta, pois essa foi a única que me encorajou a ser simplesmente quem sou, sem nenhum “porém”. Sem me castrar, me sufocar, me denegrir, me corrigir, me deturpar, me esconder, sentir vergonha de mim. Hoje, pela primeira vez em muitos anos, quero voltar a ser criança e poder mostrar ao mundo inteiro o que realmente me faz feliz.






O amor que não ousa dizer seu nome - Oscar Wilde

Bateu-lhe à porta, ao acaso, um dia.

E ele, inebriado pela cotovia

(que paira à janela, mas depois some...),

Sentiu crescer, súbito, na alma, u'a fome

De algo que, até então, desconhecia.

Desejo... estranheza... culpa... agonia...!

Desce aos umbrais, na angústia que o consome!

... porém, depois das lágrimas enxutas,

Chamou a cotovia, deu-lhe frutas,

E sorveram, um no outro, a própria essência.

E ambos, nessa atração de semelhantes,

Num cingir de músculos, os amantes

Ergueram-se aos portais da transcendência.

sábado, 14 de maio de 2011

"Sim, eu te quero"


Eu não queria, mas eu te quero.

Ah, como eu quero!

Não entendeu o meu olhar?

Então deixa eu traduzir:

“Sim, eu te quero”, é o que ele diz.

Eu não queria te querer assim, mas quero.

Fazer o que? Tanta coisa.

Eu não quero, não quero, não quero, mas te quero.

Não sei o teu nome,

nem sei o que te dizer assim de cara.

Tudo o que posso dizer é que te quero.

E se você também quiser, faça um sinal.

Se você também me quer diga, “sim, eu te quero”.

E se você também quer, o que estamos esperando?

Eu odeio perder tempo.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Projeto #EuSouGay

     Assim que li sobre esse projeto senti a necessidade de divulgá-lo. Não dá mais para aceitar tanta ignorância.
 


      Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Tarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.
      Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.
Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.
      E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.
     Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.
     Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?
     Quero então compartilhar essa ideia com todos.
     Sejamos gays.
     Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY
     Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:
1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY
2) Enviar essa foto para o mail projetoeusougay@gmail.com
3) E só
     Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem será divulgada pelo You Tube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.
     A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas que, além de lindos de morrer, são super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.
     Quanto à minha pessoa, me chamo Carol Almeida, sou jornalista e espero por um mundo melhor, sempre.
     As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.
     Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: ”Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça.” Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar Adriele.
— Convido a todos os blogueiros de plantão a dar um Ctrl C + Ctrl V neste texto e saírem replicando essa iniciativa —
Fonte
Site oficial

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cuidado com o que deseja



Queria ter um banco reservado em algum dos caminhos do teu dia, onde eu pudesse sentar-me no momento exato para desfrutar do rápido, mas inexplicável, prazer que é te ver passar. E fazer isso no dia seguinte, e no outro, pelo resto da vida.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

One half


It's still beating
What?
Him.
Who?
Him.
Who is him?
My heart!
Of course he is still beating, means you are alive.
Yes, that's true. But there is two hearts into me. One of them says: "you're alive", what means I'm not dead. And the other says: "you are hurting inside, but you will remain alive. I'll stop to beat, but you will remain alive. The most important person of your life is gone, but you will stay alive; and learn that you can perfectly live with only one half of yourself."
wow, you have a such rational heart.